Quando o autoboicote nos relacionamentos afetivos é amor próprio?

Esse tema é um dos preferidos em atendimento. As pessoas que já abriram a percepção começam a notar seus ciclos de autoboicote. É lindo ver os rostinhos filosofando sobre os processos de relações e a vida. Dessas observações tenho notado que autoboicote é, na verdade, instinto de preservação. O que chamamos de boicotar a relação na maior parte dos casos é amor próprio com problema de gestão.

Parece confuso?

Vamos a um caso para exemplificar:

Joana tem 29 anos, é excelente profissional, já concluiu a pós-graduação, fez viagens internacionais e adora sua vida independente. Gostaria de encontrar um companheiro, diferente dos moldes de casamento como instituição falida que viu sua mãe e suas tias passarem. Ela frequenta lugares legais, tem amigos legais, conheceu um cara legal.

Marcelo também tem uma vida profissional bacana, viaja e gosta de tocar com amigos. É um cara sensível e, muitas vezes, não sabe como se aproximar de uma mulher. Sente medo, mas não pode comentar, afinal isso não seria “coisa-de-homem”.

Eles começam a sair, rola um interesse mútuo, a companhia é ótima! De repente ela perde o encanto e ele some. O que aconteceu? Ele sumiu porque é inseguro? Ela se desencantou porque se autoboicota?

São as perguntas que chegam ao consultório, vindas de homens e mulheres com relações hetero ou homoafetivas.

Mas vamos lá, por que uma pessoa que deseja tanto uma relação criaria em seu inconsciente algo para evitar a própria felicidade? Existe algo mais importante que a relação por trás disso. Chama-se preservação.

“É preferível deixar a futura-boa-relação a ter que se machucar, entristecer ou sofrer”. Quem diz isso é o inconsciente. E o consciente diz: “mas el@ é tão legal…, o que houve?”

Fica uma situação de falta de comunicação interna entre o seu inconsciente e o consciente. O que está por trás do véu da sua mente é a memória de situações vividas por você ou por seus (pasme!) antepassados.

Aquela pessoa que você conheceu é ela mesma que seu inconsciente está vendo? Talvez inúmeras colagens de imagens antigas estejam turvando sua visão e seus sentimentos. E quando seu coração boicota a relação ele está protegendo você de algo que seu inconsciente considerou arriscado.

O que fazer nesse caso? É preciso atualizar o seu aplicativo de percepção do outro. Imagine que temos um mecanismo interno instintivo que nos gera uma percepção sobre a outra pessoa.

– Encontre caminhos para limpar os arquivos internos que não servem mais, tanto das suas experiências pessoais quanto das herdadas.

– Se abra para notar que os ciclos de autoboicote são a maneira mais profunda de você se amar. Basta ensinar ao seu coração como você pode se amar agora.

– Compreenda que todo processo terapêutico é como uma reeducação. Não basta fazer a dieta para emagrecer, é preciso mudar os hábitos.

É uma caminhada de implementação. Mudar o paradigma da sobrevivência para se conectar com a vida.

Mariana Mattos

 

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