Por que o glúten se transformou no grande vilão da nossa alimentação?

cereals-228726_1280Talvez a expressão “desde que o mundo é mundo” seja um pouco exagerada. Afinal, desde o big bang, há um enorme período em que nem a humanidade existia. O que podemos dizer com certeza é que consumimos trigo e outros cereais que contém glúten – como a cevada, por exemplo – há alguns milhares de anos. Então, por que essa proteína que sempre esteve presente na nossa vida virou um problema?

De acordo com o Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDRC, na sigla original), localizado no Canadá, metade de todas as calorias consumidas no planeta vem de três itens: arroz, milho e trigo. E este último é o mais cultivado deles, estando presente em alimentos que consideramos “indispensáveis”, como pão, pizzas e outras massas, e até na cerveja. Se não bastasse, também se encontra o trigo onde normalmente não se espera, como o molho de tomate que compramos no supermercado e até na batata frita congelada.

Na melhor linha “tudo em excesso é ruim”, este alto consumo começou a causar problemas. Não bastasse a própria natureza misturar grãos diferentes naturalmente, a busca por uma cultura mais forte, por menos perdas em colheitas, por uma adaptação da semente em terrenos e climas pouco amigáveis, provocou muitas mudanças no trigo, especialmente nas últimas décadas. Algo bem diferente do nosso organismo (e do nosso DNA).

É claro que o trigo não foi o único a mudar. E não é por acaso que a incidência de alergias alimentares cresceu cerca de 50% entre 1997 e 2013 (segundo o CDC). Naturalmente, entre as crianças – que ainda tem seu organismo em desenvolvimento – a situação é pior. Muito pior. Enquanto na Europa os casos aumentaram quase 700%, 2 milhões de brasileirinhos têm algum tipo de alergia alimentar.

Ao pensarmos apenas no glúten, o número de pessoas no mundo com qualquer tipo de problema – desde a doença celíaca grave até pequenas intolerâncias – quadruplicou desde os anos 1950. Só no Brasil, quase 20 milhões de pessoas são afetadas.

É claro que existem os céticos e até estudos que vão contra todas essas informações. No Brasil, especialistas dizem os problemas associados ao glúten existem, na verdade, porque ele está presente em alimentos e pratos não saudáveis, como o imenso cardápio de junk food que temos à disposição hoje em dia. E mesmo em universidades como a USP, há especialistas que admitem que o glúten pode afetar o cérebro, mas apenas em casos raros e muito específicos, como em autistas.

O fato é que o glúten não faz falta ao nosso organismo. Então, que tal fazer uma experiência e reduzir ou até cortar o seu consumo? Preparamos uma pequena listinha para você começar. Porque até quando pensamos que estamos comendo algo realmente saudável, podemos estar enganados.

Opções de alimentos que não contêm a proteína

Com glúten Sem glúten
Granola Flocos de milho
Pizza Pizzas feitas com farinha de arroz, milho, linhaça, soja ou mandioca
Pães (com farinha de trigo ou centeio) Pão de batata, de linhaça ou tapioca
Bolos Bolos com farinha de arroz, polvilho ou goma xantana
Macarrão Macarrão de quinoa ou de arroz
Sopas, molhos e cremes prontos Sopas, molhos e cremes feitos em casa, sem adição de farinha de trigo

 

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